terça-feira, 4 de maio de 2010
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Leitura do dia: "O Esperado"
Um dos males do Brasil é a exploração impiedosa do trabalho pelo grande capital. Um dos males do mundo é a exploração das nações pelo capital financeiro, apátrida. O futuro do Brasil virá da integração trabalho/capital, economia/cultura. Aqui, os partidos políticos nunca representaram a sociedade.
Esse diagnóstico, que muitos de nós assinaríamos, foi feito há 80 anos. Sabe o leitor de quem é? De Plínio Salgado, fundador do Integralismo. O Integralismo, como sabemos, é da família do nazismo, do fascismo, do franquismo, do salazarismo. Tenebrosa família.
Plínio, que tinha talento literário, publicou três romances interessantes, O estrangeiro (1926), O esperado (1931) e O cavaleiro de Itararé (1933). Se o leitor não usa o critério "não li e não gostei", os dois primeiros lhe trariam prazer. São, nas palavras do próprio Plínio, crônicas da vida brasileira contemporânea. De fato, a revolução brasileira dos anos 1930 - o nascimento da metrópole, da classe operária e da classe média, a industrialização, o estado nacional, o conflito da terra, os dilemas étnicos - estão refratados ali. Refratados, não retratados. Não são mera ilustração daqueles fatos sociais, caso em que não seriam boa literatura, mas fatos imateriais eles mesmos. Na ótica, é claro, de um conservador inimigo, ao mesmo tempo, do liberalismo e do comunismo.

O personagem central de O estrangeiro é o imigrante russo ivan, que ascende do campo para a cidade, se torna grande industrial e no final se mata. "Este país nasceu velho como a nossa Rússia; e tudo quanto aqui fizerem não será mais que acelerar a construção de novas barreiras e novos impossíveis", sentencia antes de fechar os olhos. O alter ego de Plínio é o mestre-escola Juvêncio, que costumava recitar os versos do hino fascista: "Giovinezza, Giovinezza, primavera di belleza!". Para ele, a pátria "é um misterioso idioma que se conversa com a terra e com as estrelas".
O tema de O esperado é mais político, o clima, mais tenso. Alguns capítulos foram escritos numa viagem de Plínio à Europa, após a revolução que pusera Vargas no poder. Ressalta a crítica radical à República Velha, a mesma que lhe faziam os comunistas. A trama gira em torno de um projeto de lei que daria a um truste inglês o controle da nossa exportação de café. Um senador ao estilo Sarney, Avelino Prazeres, é o dono da máquina. Avelino repete que qualquer ação "se pode enquadrar dentro dos bons princípios democráticos". A negociata encontra resistência de trabalhadores, intelectuais e estudantes organizados, enquanto governo e oposição se aliam num consenso de classe. "Todo o empenho de Becca [líder da oposição] consistia em provar que Avelino não praticava os princípios republicanos. E Avelino fazia soar as tubas de sua eloquência para demonstrar que o dr. Becca punha em perigo o regime."
Como solução para tantas mazelas - imperialismo, oligarquias, corrupção, alienação, mediocridade, angústias, pessimismo - o romance anuncia o Esperado: "E até que chegue o Desejado, serão multiplicadas as angústias, e a Pátria terá, como nos dolorosos ritos, o seu Oficio de Trevas"!
Instrutivo este hobby de remexer livros antigos.
Autor(a): Joel Rufino dos Santos.
domingo, 2 de maio de 2010
Dia de Hoje (:
02 de Maio
- 1900 - Óscar II, rei da Suécia, declara apoio ao Reino Unidona Segunda Guerra dos Bôeres.
- 1968 - Iniciam-se as manifestações estudantis de maio de 1968 em França.
- 1982 - Guerra das Malvinas: o submarino nuclear britânico HMS Conqueror afunda o cruzador argentino General Belgrano.
Nasceram neste dia...
- 1458 - Leonor de Avis, Rainha de Portugal (m. 1525).
- 1660 – Alessandro Scarlatti, compositor italiano (m. 1725).
- 1909 - Ataulfo Alves, compositor brasileiro (m. 1969).
Morreram neste dia...
- 373 - São Atanásio de Alexandria (n. 295).
- 1519 - Leonardo da Vinci, polímata italiano (n. 1452).
- 1997 - Paulo Freire, pedagogo brasileiro (n. 1921).
sábado, 1 de maio de 2010
Dia de Hoje (:
01 de Maio - Dia Mundial do Trabalho.
- 1500 - Pedro Álvares Cabral toma posse da Ilha de Vera Cruz (Brasil) em nome do rei de Portugal.
- 1707 - Entra em vigor o Tratado de União unindo o Reino da Inglaterra ao da Escócia para formar o Reino da Grã-Bretanha.
- 1961 - O primeiro-ministro de Cuba, Fidel Castro, proclama o país como nação socialista.
Nasceram neste dia...
- 1829 - José de Alencar, escritor e dramaturgo brasileiro (m. 1877).
- 1852 – Santiago Ramón y Cajal, cientista neurológico espanhol (m. 1934).
- 1872 - Sidónio Pais, político e antigo presidente da República Portuguesa (m.1918).
Morreram neste dia...
- 1873 - David Livingstone, missionário e explorador britânico (n. 1813).
- 1904 - Antonín Dvořák, compositor tcheco (n. 1841).
- 1994 - Ayrton Senna, automobilista brasileiro (n. 1960).
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Leitura do dia: "Um País de Corsários"
O termo genérico "pirataria" envolve um leque imenso de atividades. A repressão paliativa de suas manifestações isoladas dissimula a força e a abrangência do fenômeno. Mas é absurdo assemelhar o comércio ilegal de bens culturais ao de quaisquer outros produtos gerados por contrabando ou falsificação. Reproduzindo as engrenagens do tráfico, chega-se ao cúmulo de criminalizar a busca por informação, marginalizando seu "usuário". E, também nesse caso, criando instrumentos segregacionistas: a defesa do copyright equivale à tentativa de preservar desigualdades.
Mas se todas as classes sociais se locupletam cotidianamente da informalidade, sob tolerância generalizada. Comércio, indústria e residências estão repletos de computadores e outros equipamentos irregulares. Jogos, músicas e filmes clandestinos entretêm milhões de famílias por todo o país, sem contar o furto de sinais de TV a cabo. A cópia integral de livros impede o colapso do ensino universitário, em especial nas instituições públicas, cujas bibliotecas possuem acervos ridículos.
O camelô virou bode expiatório do farisaísmo pequeno-burguês. Os preços irrisórios cobrados pela pirataria não justificam os custos exorbitantes do mercado regular, antes iluminam sua face gananciosa e excludente. Produtos culturais de grande circulação independem do varejo, pois se viabilizam previamente com publicidade, renúncia fiscal e eventos associados. Autores recebem migalhas, enquanto os lucros enriquecem uma rede de intermediários ociosos e insensíveis à produção artística.
A hipocrisia legalista faz parte de uma estratégia para impedir a disseminação da cultura regular, oficial, legítima. O exclusivismo cria nichos, eleva preços, alimenta ilusões de superioridade. Mas a vitória inevitável da pirataria revelará que é impossível barrar a demanda popular pelo conhecimento.
Autor(a): Guilherme Scalzilli.
www.guilhermescalzilli.blogspot.com
TV Atlanta
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http://www.tvatlanta.no.comunidades.net

